Como surgem os tumores malignos?
Os tumores malignos surgem porque há uma desregulação. Temos mecanismos muito finos de regulação nos nossos tecidos normais. Nos tumores malignos é quase tudo igual ao normal, excepto que “aquilo” não pára de crescer porque as células dividem-se e não morrem. A razão para termos a forma humana que nos caracteriza é termos uma fase em que os tecidos proliferam e crescem; depois deixam de crescer e diferenciam-se. Nas narinas, as células morrem no eixo dos “cilindros” nasais e forma-se uma cavidade; no caso do tubo digestivo, é a mesma coisa, e nas mãos, para não ficarmos com uma mão de pato, também acontece a morte das células entre os dedos (a tal apoptose), permitindo a sua individualização. O normal é os nossos tecidos crescerem até encontrar o outro tecido com o qual vão estabelecer uma fronteira estável. Nos tumores malignos, isto não se passa.
Os cancros são o resultado de uma interacção muito complexa entre agressões ambientais (tabaco, infecções, dietas desadequadas, etc.) e susceptibilidade genética. Desta interacção resultam alterações genéticas que se vão acumulando nas gerações sucessivas de células neoplásicas (passam das células-mães para as células-filhas), dando-lhes maior capacidade para proliferar e sobreviver.
O facto de os cancros serem causados por alterações genéticas não significa que sejam hereditários. A grande maioria dos tumores malignos (mais de 90%) não é hereditária, isto é, as alterações genéticas que causam directamente Os tumores malignos não são herdadas a partir das células germinativas dos pais (óvulo e espermatozóide), mas ocorrem nas células somáticas das pessoas durante a vida. Ocorrem sobretudo nos tecidos que são muito regenerativos, como a medula óssea -dando origem a leucemias, que são os tumores malignos das células sanguíneas -, o revestimento do tubo digestivo e a pele. Os cancros originados nos tecidos epiteliais (pele, tubo digestivo, brônquios, mama, próstata, etc.) chamam-se carcinomas, enquanto os cancros do tecido conjuntivo se chamam sarcomas e os dos órgãos linfóides, linfomas.
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